A dieta de um yogi: como comia Guruji quando ele atingiu seus 90 anos de idade

Como é a dieta de um Yogi? E a dieta de um mestre? No texto abaixo encontramos um lindo relato sobre o dia a dia e a alimentação de B.K.S. Iyengar quando ele tinha 90 anos de idade. Vale a pena ler até o fim esse relato tão pessoal e próximo dessa grande mestre do Yoga.

A dieta de um yogi

Pavrithra Raghavan
Revista Yoga Rahasya 
Vol. 26 No 3; 2019

Quando me casei com o neto Hareeth de Guruji ele já encontrava-se com 91 anos de idade e nos mudamos para Pune em 2010. Recém casada e sem emprego eu passava a maior parte de meu tempo em Model Colony  e íamos ao nosso flat apenas para dormir e retornávamos pela manhã sendo que igualmente passávamos os finais de semana por lá. Ou seja, a gente praticamente tinha lá como a nossa casa de base. Eu passava a maior parte de meu tempo com Guruji através das práticas da manhã, almoço, anoitecer e no jantar. Todo o tempo era preenchido por conversas mais pesadas, leves, temas mundanos, prática, comida, esportes, entre outras coisas.

Ele era madrugador e tomava o café da manhã dele com duas marias ou biscoitos de glucose. Isso era antes de suas horas de prática. Depois da prática ele tomaria uma limonada com pitada de sal e açúcar ou um lassi (uma bebida de coalhada mexida com água, açúcar, uma pitada de sal e gotas de limão) durante os verões e nos invernos chocolate quente ou café quente.

Então ele tomava seu banho e voltava para o almoço e sentávamos juntos como uma família para o almoço. Como eu era desengonçada para me alimentar não era fácil comer ao lado dele. Ele comia tudo em porções pequenas. O almoço era preparado por Sunita minha sogra e era no estilo de comida do sul da Índia com arroz, dal simples ou Sambhar, rasam, algum vegetal e coalhada. Ele preferia vegetais que eram mais aquosos como couve selvagem , chayote, feijões, beterraba, espinafre, ou vegetais simples verdes. Ele não era fã de vegetais de raiz como batatas e tapioca; mas ele incluía inhame em sua dieta pois segundo ele  era bom para quadros de constipação. Ele não gostava de vegetais que eram fritos e sua dieta era estritamente simples e não condimentada e eu nunca o vi rejeitar comida por ele não gostar.

Nós do sul da Índia comemos com as mãos e era uma delicia ver Guruji misturar o seu arroz com ghee e sambhar pois ele deixava tudo tão macio que seria palatável para qualquer bebê comer.

Ele amava bisibele baath que é um prato do sul da Índia feito com especiarias como sementes de coriander , coco e vegetais variados. Foi através dele que aprendi que a coalhada pode ser provada com uma colher de mel. Ele diariamente comia isso e dizia que era para o Senhor Krsna e Balarama e que dava força e estamina. Eu comecei a provar isso e gostei muito embora eu não fosse adepta dos doces.

Embora ele tivesse seus favoritismos ele não tinha preferências. Ele comia o que tivesse disponível no mercado no dia que seria preparado. Ele comia frutas da estação (manga, banana, pera, maçã e laranja) como um petisco de noite ou depois das práticas. O jantar seria sempre leve como uma dose de ghee pura, puri ou chapati. Ele preferia pratos simples sem condimentos fortes e húmidos ou tipos de gravy.

Enquanto netos ele nunca nos forçava a comer nada e colocava de forma educada como tal item de comida era sadio ou não. Algumas vezes ele lembrava de como viveu com água, algumas vezes sem dinheiro ou comida. Não nos era possível argumentar, apenas expressar a gratidão por termos tantas opções. 

Ele sempre apreciava a companhia de seus netos e filhos unidos. Ele sempre jantava com os membros da família. Eu tenho a memória de Guruji apreciando tantas delícias e doces preparados em casa nas épocas de festival como Diwali ou Krsna Jayanti. Ele amava thenkuzhal (petisco de arroz do sul da Índia) com manteiga extra ou ghee para deixar ainda mais delicioso especialmente para ele. Ele jantaria com todos, estudantes e discípulos durante as ocasiões especiais no instituto.

Foi de fato muitas bênçãos ter passado tanto tempo ao lado de Guruji.


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